Coordenação BIM: Mais do que Modelação 3D
Quase toda a gente imagina o BIM como um modelo 3D. O seu valor real está na coordenação: apanhar os conflitos entre estrutura, especialidades e arquitetura antes de chegarem à obra.
Ideias-chave
- O essencial do BIM é coordenar estrutura, especialidades e arquitetura, muito para além do modelo 3D.
- A deteção de conflitos é automática; decidir qual o elemento que cede exige critério de engenharia.
- Coordenar no modelo evita trabalhos a mais, atrasos e orçamentos imprecisos em obra.
Pergunte à maioria das pessoas o que é o BIM e vão descrever um modelo 3D. É a parte visível, e a menos interessante. Um modelo é um desenho que por acaso é tridimensional e, por si só, não torna um edifício mais fácil de construir. O que muda o resultado é o que a equipa faz com o modelo, ou seja, coordená-lo.
Para um arquiteto, promotor ou cliente particular, essa distinção decide onde os problemas se resolvem. Um conflito apanhado no modelo custa uma tarde. O mesmo conflito descoberto em obra custa um trabalho a mais e semanas de atraso.
O modelo é apenas um recipiente
Cada especialidade constrói o seu próprio modelo: estrutura, águas e drenagem, eletricidade, ventilação mecânica e a própria arquitetura. Isolados em ficheiros separados, todos parecem corretos. Reunidos num modelo federado, aparecem as perguntas a sério. Uma viga atravessa uma conduta. Um tubo de drenagem não tem inclinação possível. Uma parede cai onde a casa das máquinas precisa da porta.
A coordenação é o trabalho de encontrar e resolver essas sobreposições antes de alguém as orçamentar ou construir. O software deteta os conflitos geométricos. A engenharia decide qual o elemento que cede, e porquê.
O software mostra onde duas coisas se encontram. Alguém ainda tem de decidir como se devem encontrar.
Detetar conflitos é a parte fácil
Um relatório de conflitos lista centenas de interseções em minutos. A maioria é trivial e uns quantos são caros. A lista sai depressa. Lê-la bem é que é o trabalho: saber que uma conduta pode passar por baixo da laje enquanto a viga não se mexe sem alterar a fachada, e sequenciar as correções para que uma decisão não desfaça a seguinte.
É por isso que a coordenação fica com engenheiros que percebem o projeto todo, e não só com um modelador. O software mostra onde duas coisas se encontram. Alguém ainda tem de decidir como se devem encontrar.
O que significa para quem paga o edifício
Projeto coordenado é projeto mais calmo. Menos surpresas durante a obra, menos pedidos de esclarecimento, quantidades mais rigorosas e um empreiteiro a orçamentar o que vai mesmo ser construído em vez de adivinhar as lacunas. Numa moradia exigente ou num empreendimento residencial, essa previsibilidade vale muitas vezes mais do que o próprio modelo.
Na ORIRI, a coordenação BIM atravessa o projeto desde o início em vez de aparecer como um entregável no fim. Modelamos estrutura e especialidades em conjunto, resolvemo-las contra a arquitetura e entregamos à obra um conjunto de documentos que concordam entre si. Se está a planear um projeto onde as especialidades têm de disputar o mesmo espaço, essa é uma conversa que vale a pena ter cedo.